Postado por: Drika às 11h28
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NÃO SOU LÚCIDA; SOU CONFUSA; ESSA SOU EU!


BALANÇO GERAL:
Das coisas de que gosto...
Cinema:
À espera de um milagre, Amadeus, A malvada, A um passo da eternidade, O advogado do diabo, Além da eternidade, Amor além da vida, Um amor para recordar, Antes de partir, Antes do amanhecer, O auto da compadecida,
Batman (todos), O bebê de Rosemary, Um beijo roubado, Beleza americana, Ben-Hur, Bonequinha de luxo, Brothers, Butch Cassidy,
O caçador de pipas, Caçadores de mentes, Uma canção de amor para Bobby Long, Candy, Carandiru, O carteiro e o Poeta, Casa de areia e névoa, A casa dos espíritos, Casablanca, Central do Brasil, Chaplin, Chocolate, Cleópatra, Closer-perto demais, Clube da luta, O clube de leitura de Jane Austen, Coisas que você pode dizer só de olhar para ela, Colcha de retalhos, O colecionador de ossos, Como se fosse a primeira vez, O Conde de Monte Cristo, Contos proibidos do Marques de Sade, Um copo de cólera, A cor púrpura, O corvo, A Corrente do Bem, Cotton Club, Crepúsculo,
Dança com lobos, Deixe-me viver, O despertar de uma paixão, Desventuras em Série, Dez coisas que eu odeio em você, Diabo veste Prada, Diário de uma paixão, Diário de motocicleta, Doce novembro, Don Juan de Marco, Drácula de Bram Stoker,
E o vento levou, E se fosse verdade, Escritores da liberdade, Edward Mãos de Tesoura, Efeito Borboleta I, Elvira a Rainha das Trevas (eu adoro a Elvira-que saudade da Sessão da tarde), Ao Entardecer, Em algum lugar do passado, O enigma da pirâmide, Entrevista com o vampiro, A era do gelo, O escafandro e a borboleta, O estranho mundo de Jack, Eterno amor,
A fantástica fábrica de chocolate (1971-2005), O Fantasma da Ópera, O feitiço de Áquila, Forrest Gump - O contador de histórias, Frankeinstein (1931- de Mary Shalley),
Gata em teto de zinco quente, Ghost - do outro lado da vida (por causa da Whoopi Goldberg), Gilda, Gladiador, Os Goonies, Grandes esperanças, Gremlins, Guerra nas estrelas,
Hair (1979), Hamlet (1948-1990-1996), Homem de Ferro, O Homem-elefante, As Horas,
O Iluminado, O Ilusionista, Os Infiltrados, O informante, Instinto Selvagem, Os Intocáveis,
Janela Indiscreta, Janela Secreta, Johnny e June, O júri,
O Labirinto do Fauno, Lavoura Arcaica, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Lendas da Paixão, A Letra Escarlate, Ligações Perigosas, Luzes da Ribalta,
Macbeth, Madame Bovary (1991), Matrix, Menina de Ouro, Meninos não choram, Meu nome é rádio, Os Miseráveis, Monstros S/A, O Morro dos Ventos Uivantes, Morte em Veneza, Morte no Funeral, Moulin Rouge - O amor em vermelho, My Fair Lady,
Na Natureza Selvagem, A Noiva Cadáver, O Nome da Rosa, Nós que aqui estamos por vós esperamos, A Noviça Rebelde, Nunca te vi sempre te amei,
88 Minutos, O óleo de Lorenzo, Olga, Orgulho e Preconceito, A Ostra e o Vento, Os outros,
P.S.Eu te amo, Paranóia, O Pecado da Fé, Pequena Miss Sunshine, Perfume de Mulher, O Pianista, O Piano, Piratas do Caribe, O Poderoso Chefão, As Pontes de Madison, Ponto Final - Match Point, Por que Choram os Homens, Procurando Nemo, Psicose (1960),
Quando um homem ama uma mulher, Querido Frankie,
Robin Hood, Romeu e Julieta (1968), A Rosa Púrpura do Cairo,
Sabrina (1954), O Senhor dos Anéis (trilogia), Seven - Os sete crimes capitais, O sexto sentido, O show de Truman, Shrek, O Silêncio dos Inocentes, Sleepers, Sobre Meninos e Lobos, Sociedade dos Poetas Mortos, Sombras de Goya, Um sonho de Liberdade, Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da Rua Fleet,
O talentoso Ripley, Tempos Modernos, Traídos pelo destino, Tratamento de Choque, Tristão & Isolda, Tropa de Elite,
A vida de David Gale...
Provavelmente a lista de assistidos é muito maior. Mas estes figuram àqueles que vez ou outra assisto novamente. Alguns são recentes. Outros a crítica não gosta. Enfim, é a minha lista.
QUERO ASSISTIR:

Filme: Coffee and Cigarretes (2003)
Direção: Jim Jarmusch
Série de 11 curtas-metragens sobre diversos personagens que, bebendo café e fumando cigarros, discutem os mais variados temas, tais como picolés com cafeína, Abbott & Costello, a ressurreição de Elvis Presley, a forma correta de se preparar um chá inglês, as invenções de Nikola Tesla, desentendimentos familiares, Paris nos anos 1920, rock, hip hop e o uso da nicotina como inseticida.
DESPEDIDA:

"...o azul dos olhos de Paul Newman era tão radioso que ultrapassava os limites do preto-e-branco...(83 anos-ator-2008)

túnel
o destino tem uma lógica própria. são necessários cálculos complexos para perceber o que poderia ter acontecido em vez do que realmente aconteceu. há demasiadas possibilidades para que aconteça sempre o mesmo. o mundo tem uma varieadade e é longo. o mundo deveria ser um túnel, onde entravas de manhã e saías à noite. sem ramificações. uma canalização orientada, como existe nas casas. abres a torneira e sabes que sai água. ou então não sai água. só existem duas possibilidades.
[página 18 ~ um homem: klaus klump, gonçalo m. tavares]

Eu rego um amor todos os dias. Eu rego a mim mesma. Ritual.
Sou o motivo de minhas madrugadas perdidas. Meus anseios.
Minhas buscas. Minha chegada. Janeiro é afastar as cortinas e deixar o sol entrar.
Por que sempre chove? Ainda nem me livrei da bagagem. Das fotos. Dos cacarecos.
Do sorriso mofado. Do pedido de socorro. Da ilusão desfeita. Do desencontro.
Ainda bem o desencontro. Pois nasce um novo encontro. Quando? Quem sabe!
A graça é não saber. É esperar como quem descuida de desejar.
"Gosto dos venenos os mais lentos. As bebidas as mais fortes. Dos cafés mais amargos.
E os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: e daí, eu adoro voar." Clarice
Eu me multiplico no escuro. Minto a mim mesma dizendo que estou feliz neste lugar. Ninguém é feliz no mesmo lugar.
Viajo em mim para apagar a fúria da mesmice. Mesmice de outros. De olhares. De palavras. De sabores.
Nunca desejei minha morte, mas há algo em mim que precisa morrer.
Essa espera de alguém que talvez não exista. Precisa morrer.
Somente assim poderei parar de esperar e deixar que alguém entre em mim.
Entre rasgado. Farto e faminto. Surrado de também esperar.
Um gole de vinho e minha sina figura à minha frente. Sou uma estranha a mim mesma.
Morro todos os dias uma morte prematura de desejos guardados em velhas caixas desbotadas.
Juntei minhas mãos e tentei ler suas linhas. Nada falam. Alguém me lê em algum lugar.
Talvez nunca o encontre - mas ele existe. Só preciso parar de esperá-lo.
Talvez a vida seja isso. Uma moldura dourada, um retrato solitário na parede de uma pensão barata.
Uma música sem refrão. Uma árvore curva e de raízes fortes. Um camafeu antigo sem relevo.
Um silêncio no lugar do grito. Uma fome num lugar deserto. Um rastro desfeito em cacos.
Uma janela emperrada. Um vestido surrado em dia de baile. Uma doce palavra de alguém distante.
Esse desencontro é o sabor. É a verdade de se viver. E eu que era tão apaixonada por mim.
Agora me despeço entre luzes de um palco minúsculo. Não. Eu não choro.
Não, porque ainda não me fiz em primavera.
Estou na fila para me devorar.
Devora-te Adriana.

Bebida: café
Consumismo: livros e Dvds
Livro (lendo): O Livro dos Livros Perdidos - Uma história das grandes obras que você nunca vai ler, Stuart Kelly "...Perder-se é a pior coisa que pode acontecer a um livro? Um livro perdido é capaz de propiciar um certo grau de satisfação de desejo. O livro perdido, asism como a pessoa que você nunca ousou tirar para dançar, torna-se infinitamente mais atraente simplesmente porque pode ser perfeito na imaginação".
Livro preferido: ...!!!???###@@@
Livro para indicar: Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley "...que divertido seria se não fosse obrigado a pensar na felicidade...a verdade é grande, mas maior ainda, do ponto de vista prático, é o silêncio sobre a verade".
Livro do coração: Dom Quixote, de Cervantes.
Livro do amor: Poderia ser "Romeu e Julieta", mas é "Amor de Perdição", Camilo Castelo Branco.
Livro da raiva: Lolita, de Nabokov.
Livro orgasmo: Drácula, de Bram Stoker (não sou louca-orgasmo no sentido de me desmanchar por ele e lê-lo sempre).
Livro Poesia: Fernando Pessoa
Livro de época: um só não dá (Os Maias, Eça de Queirós e O nome da Rosa, de Umberto Eco).
Livro traição: lógico "Dom Casmurro" porque cadê a traição?????
Livro mulher safada: Madame Bovary, Flaubert
Livro mulher coitada: A dama das Camélias, Alexandre Dumas Filho
Livro - peça: Hamlet, Shakespeare.
Livro ficção: Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa.
Livro-sonho louco: Metamorfose, Kafka.
Livro disputa: Crime e Castigo, Dostoiévski.
Livro-fofura: O Pequeno Príncipe, Exupery.
Livro vingança: O Morro dos Ventos Uivantes, Emile Bronté e O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas.
Livro de cabeceira: Cem Anos de Solidão, G.Garcia Marquez.
Livro do medo: O iluminado, S.King.
Flor: orquídea amarela
Comida: pizza e da mamãe
Doce: chocolateeeeeee
Lugar preferido: meu quarto
2º lugar preferido: Hotel Águas Vivas - Fernandópolis, El Ateneo-Buenos Aires
Lugar desejado: France - cafés de Paris
Cheiro: de uma árvore que tem uma florzinha - Dama da noite
Perfume: Asteria, Marina de Bourbon e Giovana Baby(desde a infância)
Creme: Pear Glacé, Victoria's Secret
Roupas, sapatos e afins: depende do meu astral - não ando nua apesar de gostar de ficar nua
Cigarro: não sei fumar
Não gosto: mentira, ficar esperando, bêbado inconveniente, fila de banco, ficar sem internet
Odeio: sentir dor
Doença: leucemia - mas não morri
Medo: de não viver tudo
Pior coisa quando doente: ficar sem o cabelo e ver as pessoas chorando - agulha é dose também
Melhor momento: ver meu filho - a primeira vez
Pior momento: me despedir do cabeçudo do meu irmão que morreu
Saudade: do cabeçudo do meu irmão - o chamava assim...meu eterno amigo
decepção: meu casamento
alegria: o término do meu casamento ahahahahahahhhahahahaha
profissão: utopia...amo muito
alunos: as criaturas mais monstruosas e adoráveis que eu conheço
Sexo: aperfeiçoando e caminhando para a perfeição, obrigada......ahahahahha
Auto-estima: depende do dia
Personalidade: minha mãe
Trabalho: exaustivo este ano
Amor: dói
Sonho de consumo: sei lá...uma casa em Bali ahahahahahah
- Postado por: Drika às 18h32
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AS TIME GOES BY

O medo
‘O medo come as almas’, dizia Fassbinder no título de um seu filme.
E se esse medo fosse o medo de não saber?

...e no teu beijo tudo poderia passar...esse medo...

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
("Elogio ao amor", Miguel Esteves Cardoso)

- Postado por: Drika às 10h21
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Bem vindo!
MAS, POR FAVOR, DEIXE OS SAPATOS MOLHADOS PARA TRÁS, APENAS PERMITA QUE A CHUVA NOS INCOMODE DAQUELA PORTA PRA FORA (COMO TODAS AS COISAS DO MUNDO).
Reinventei uma nova forma de escapismo.
Filho pródigo retorna. Sai de seu escafandro.
O mundo lá fora!
Caos
Dante e seu inferno em novas formas
O sons - arredios, gritantes. Abafados.
Abandonada a mim mesma
Sozinha
Fugitiva
O espetáculo sempre continua
Minhas frases rasas de atriz ao chão
Uma sobrevivente
Aos mortos e feridos do caminho
Restam apenas a espera estúpida
Ilógica
De um não-destino
A vida caminha
Não espera
Talvez haja um brilho místico na garoa fina
Impecável
Nostálgico
É difícil não conseguir enxergar a vida
Não conseguir tocá-la
Porém, dor mais intensa e cruel
É vê-la e não ter força
-ou desejo, ou vontade-
Para prová-la...
VIDA
"Ao menos acertamos a teoria definitiva da existência, nada a desejar, nada a recear, não se abandonar a uma esperança nem a um desapontamento,
Tudo aceitar, o que vem e o que foge...
Se me disserem que ali embaixo estava a maior das fortunas à minha espera para ser minha se para lá eu corresse, não apressava meu passo, não saía desse meu passinho lento, seguro, prudente que é o único que se deve ter na vida.
Não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma,
Nem para o amor,
Nem para a glória,
Nem para o dinheiro,
Nem para o poder."
(Trecho retirado da minissérie produzida pela Rede Globo "Os Maias" de Eça de Queirós).
Férias maravilhosas.
Silêncio. Paz.
Minhas férias é o meu momento.
Quando viajo procuro lugares em que eu fique muito (muito) sozinha.
Uma vez me disseram que eu sou esquisita.
Eu passo quase o ano todo rodeada de gente. Sem interrupções. Muita gente.
Muitas decisões. Muitos projetos. Muita conversa.
Ao final do ano a bateria acabou. Eu fico com aversão a lugares repletos.
É o momento de fazer aquilo que eu gosto mas não tenho tempo de fazer durante o ano.
Arrumar meus livros (meus papéis - uma infinidade). Assistir aos filmes preferidos.
Preto e branco. Antigos. Amo...
Ir às cafeterias que conheço. Conhecer outras. Escrever e escrever.
Viajar para aquele lugar em que eu consiga escutar a mim mesma.
Tem um lugar assim perto daqui onde moro. Fica umas duas horas de viagem.
Você consegue ficar na piscina até de madrugada pois a água é quente.
A maiora das pessoas do hotel vão dormir e eu fico lá...o céu quase toca a água.
As estrelas e a lua brincam no reflexo. Abaixo consegue-se enxergar um campo...
nada se mexe. Só o vento balança as flores do ipê amarelo.
Desacelerar...

- Postado por: Drika às 10h52
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HOJE PRECISO DE VOCÊ!

Canto para Minha Morte
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho
Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...
Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Sem palavras...
Quando o destino te deixa sem palavras você cala, respira e espera.
Olhar como se fosse a última vez. Nunca será a última vez!
Só a morte pode cortar o fio que se ligou. E, como você disse, se a morte trouxer outro mundo: será nosso.
Não há explicação e nem resignação. Há amor. Sempre houve. Desde antes.
Falta de ar é máscara. Como pode no amor faltar ar? O amor imprime ar, sufoca de tanto ar.
Aonde quer que eu vá há um caminho que me leva ao teu alcance. Nossas alianças estão juntas. No coração.
Cada dia é menos um sem você. Minhas lágrimas não são testemunhas de tristeza.
Teus olhos são labirintos. Eu sempre irei me perder neles. Não se preocupe. Só respire.
"AONDE QUER QUE EU VÁ, LEVO VOCÊ NO OLHAR..." P.SUCESSO
- Postado por: Drika às 16h45
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ESTRADA

"Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Por não esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo..."
(Cecília Meireles - Cânticos)
"...FAZE-TE A IMAGEM DO MAR..."
"Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno".
(Cecília Meireles)
SOU SEMPRE O OUTRO!!!!!
Não morri não! Ainda não. Cada retorno é muito alegre por vê-los todos aqui.
Estou em falta, mas por motivos necessários. Logo visitarei a todos.

Eu renuncio todo dia...
Minhas palavras já não são minhas
Assim como meus pensamentos.
Levo uma espera que já não se alegra
E nem precisa.
E se não for
Não há culpados e nem amantes
Serão apenas conhecidos de uma estrada vazia.
Por quais caminhos uma vida se faz?
Uma estrada é sempre uma estrada
E os olhos perdidos esperam
O dia que você voltará.

Cassia Eller - As Coisas Tão Mais Lindas
Entre as coisas mas lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela então eu me vi
Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar
E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Hoje você está
Onde você está
As coisas lindas são mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
- Postado por: Drika às 21h31
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"...esperando, em chamas, nome, não dito..."(Tennessee Williams)

...tem dias que não vejo cores,
tem dias que as semanas são séculos,
são dias estranhos,
desconexos.
Revelam pálidas incertezas,
traduzem esperas brancas,
de luzes que não se dissipam,
na mão que ainda sangra.
Buracos que aterram a lembrança,
de tempos que não voltam mais.
Verdades submersas em silêncios,
de rostos e lágrimas perdidos em um distante cais.
São somente dias.
Mutantes dias.
Eu em muitas.
Rabisquei minha vida e criei minha fome.
(Drika)
Nos dias em que nada avisto, aquiesço. Observo o barco passar.
Aprendo a calar e adormeço em minha solidão.

"E nós, que sempre pensamos
A felicidade com algo crescente, sentíamos
Uma emoção que quase nos faz sucumbir,
Sempre que algo feliz decresce". (Rainer Maria Rilke)

Deixe sua marca. Produza suas pistas. Cada dia é uma porta.
Umas irão te derrubar. Outras te acolher.
Quando percebi que nem sempre tudo dá certo, entendi que estou acertando.
Agora estou deitada num barquinho. Já não quero o céu azul. Não consigo lê-lo.
Quero o céu nublado e escuro. Os pingos finos lavando meus cabelos.
Hoje sei que em tempestades, do outro lado da margem, pode haver alguém me esperando.
- Postado por: Drika às 18h27
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LONGE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE

(Praia de Jericoacoara -Ceará)
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa.
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Mil lugares.
Mil cheiros.
Mil sensações esquecidas.
A primeira vez que li Fernando Pessoa me encantei. Fiquei amarrada mesmo.
Apaixonada. Folheava e tentava explicar o que não tem explicação.
Achei doido. Depois inteligente. Sábio. Depois doido de novo. E amei.
Um dos grandes casos de amor que tive com os livros.
"Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade..."
Ele me entende. Tem coisa pior do que alguém que vive feliz?
Que se contenta com tudo do jeito que está?
Que nunca quer nada além do que já tem?
Eu quero algo além do mar...além das terras...além do que a vista pode alcançar.
Quero que a brisa da madrugada me leve lá. No paraíso disfarçado.
Subir o monte e ver o pôr-do-sol de mãos dadas. E adormecer.
Adormecer de palavras iguais...em sintonia.
E depois de conseguir isso...desejar tudo novo. Me acalmar na maresia.
Sentir tudo igual em sintonia, para nunca mais sair da memória esse gosto de querer.

"Agora que sinto amor
Tenho interesse nos perfumes.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver."
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Filme: Nunca Te Vi Sempre Te Amei
Anne Bancroft and Anthony Hopkins
Uma história de amor e gosto pelos livros.
Aonde Quer Que Eu Vá
Os Paralamas Do Sucesso
Composição: Paulo Sérgio Valle / Herbert Vianna
Olhos fechados
Prá te encontrar
Não estou ao seu lado
Mas posso sonhar
Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá...
Não sei bem certo
Se é só ilusão
Se é você já perto
Se é intuição
E aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá...
Longe daqui
Longe de tudo
Meus sonhos vão te buscar
Volta prá mim
Vem pro meu mundo
Eu sempre vou te esperar
Lará! Larará!...
- Postado por: Drika às 01h53
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A MENINA

Nunca ninguém sabe se estou
louco para rir ou para chorar...
Por isso o meu verso tem
esse quase imperceptível tremor...
A vida é triste, o mundo é louco!
Nem vale a pena matar-se por isso
Ninguém por ninguém!
Por nenhum amor...
A vida continua, indiferente!
Mário Quintana

A menina triste me comoveu. A tristeza da menina me comoveu.
A tristeza sempre me comove.
Sentada no banquinho verde e descascado, ficava por lá horas roendo as unhas e balançando os pézinhos.
Vez ou outra levantava os olhos e passava com eles para o outro lado da calçada, onde meninos brincavam com bolinhas de vidro.
Não levantava. Não brincava. Não sorria. Nem chorava. Somente existia. Era uma criança sentada no banquinho da calçada.
Quando alguém a chamava de dentro da casa, não falava, se levantava e ia com o andar de quem não quer chegar.
Algumas vezes tentei procurar-lhe os olhos. Desviava das bolinhas e subia na calçada procurando outro caminho.
Muitos dias. Muitas semanas. Até meses.
Um dia, passei por ali e o banquinho havia sumido junto com sua companheira.
Perguntei aos meninos - Onde está a menina? - e ninguém sabia.
Não me conformava por ela ter ido embora. Por não saber da tristeza que tinha.
Uma senhora que me ouvira perguntar da menina se aproximou e apressou-se em dizer:
"_ Ah! Já foi tarde a menina. Não era de bons modos. Não conversava com ninguém. Muito estranha a pequenina."
Fui embora. Troquei de rua. Mudei de calçada.
Será que alguém conversou com a menina?
Drika
MENININHA DO PORTÃO (MARIA RITA)
Menininha sai do portão
Vem também brincar
Vem pra roda
Me dê a mão
Traz o seu olhar
Vou girando na roda
Vou cantando à sua espera
Quem me dera um dia
Ter seus olhos
Cor da primavera
Todo o dia no seu portão
Vejo o seu olhar
Bate forte meu coração
Mas não sei contar
E eu pego a viola
Faço um verso feito um trovador
Quem sabe, então
Você me dê...
Me dê o seu amor
Todo o dia no seu portão
Vejo o seu olhar
Bate forte meu coração
Mas não sei contar
E eu pego a viola
Faço um verso feito um trovador
Quem sabe, então
Você me dê...
Me dê o seu amor
Menininha.

Tudo que passa ou não conheço amo mais. O já perdido.
O bairro antigo. O livro que não terminei de ler.
A saudade da primeira leitura.
Os mais velhos. Os recortes do passado. As palavras que ainda não sei.
Os amigos ou queridos que não podem falar porque já morreram.
As passagens da memória. O portão da minha casa da infância.
As coisas que ainda não sei. O vestido floridinho da minha avó.
O cheiro da comida daquele dia. O sorriso que nunca vi ou escutei.
Os amigos que não tive. As palavras que não me deram.
O amor que não conheci. A minha infância foi tão rápido.
Deveria ter ficado muito mais naquele banquinho esperando meu amigo.
Ainda o espero.
- Postado por: Drika às 15h47
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COMO SE FAZ UMA TESE

"Fazer uma tese significa divertir-se, e a tese é como um porco: nada se desperdiça."
(Umberto Eco)
Comprei esse livro ontem. Terminei de ler hoje.
Escrever uma tese é como escrever um livro.
A tese está em construção.
"Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras".
Li essa frase na agenda de uma amiga. Ela me disse que não sabia de quem era.
Eu não comprei o livro porque queria uma receita para minha tese.
Claro que o título do livro me chamou a atenção porque o assunto faz parte da minha vida atual.
Porém, Umberto Eco sempre me acompanhou em alguns momentos de leitura como : "O nome da Rosa", "Mentiras que parecem Verdades" enfim, fiquei curiosa em saber o que um mestre da escrita tem a dizer sobre escrever.
Muitos pensam que escrever é um dom apenas, e que a pessoa se acomete de um momento de inspiração profundo e sai escrevendo sem parar.
Escrever dá trabalho. Escrever faz pensar. Escrever pode não seduzir quem lê e o escritor acaba na solidão das palavras.
Na filosofia da composição de Poe, ele deixa bem claro que escrever é acima de tudo muito trabalho. Fica a cargo da inspiração uma pequena parte. Como então pensar um Fernando Pessoa, Machado de Assis sem inspiração? Eles têm uma inspiração que se chama trabalho, inteligência, necessidade de escrever, observação refinada e humildade científica. Todo grande escritor nunca precisou falar que era grande. Outros falaram.
Mas como não pensar que nascem assim? Do contrário, como então se tornar assim?
Sabe qual o meu medo? Que um dia escritores bons não queiram mais escrever. Que somente haja lugares para aqueles livros místicos e idiotas que as pessoas compram porque está na moda. Compram porque o "escritor" é famoso ou não sai da televisão. Nem quero pensar nisso. Umberto Eco também tem esse medo. Por isso escreveu esse livro. Muitos "escritores" deveriam lê-lo. Tenho certeza que não cometeriam muitos "pecadinhos" ignorantes que vêm comentendo. Ou se continuassem a fazê-los é porque não são escritores mesmo. São vendedores de livros. Eu conheço um vendedor de livros que quando não gosta não recomenda. Como ele é sincero! Ele deveria escrever.
É como música. Tem aquelas que você fica ouvindo e ouvindo e não cansa. A letra é tão linda ou tão instigante que você viaja.
E tem aquelas que te levam também...para o inferno. Respeito. Eu sei. Eu respeito. Mas e os meus ouvidos? Quem respeita?

Passo horas lendo em livrarias e tomando café. Será que tem gente igual a mim?
Talvez. Alguns não conseguem ficar dez minutos lendo.
Eu não me vejo em certos lugares. Em outros gostaria de conhecer.
Cada um se encaixa em seu devido caminho. Será que tem gente que não se encaixa em nada?
Será que alguém vai ler meu livro? Quantas perguntas.
Um dia encontro minha xícara. Tomara que ela goste de livrarias e de tomar café.
Eu tenho idéias e razões, Conheço a cor dos argumentos E nunca chego aos corações. F. Pessoa, 1932 |
Ando Só
Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger
ando só
pois só eu sei
pra onde ir
por onde andei
ando só
nem sei por que
não me pergunte
o que eu não sei
pergunte ao pó
desça o porão
siga aquele carro
ou as pegadas que eu deixei
pergunte ao pó
por onde andei
há um mapa dos meus passos
nos pedaços que eu deixei
desate o nó
que te prendeu
a uma pessoa que nunca te mereceu
desate o nó
que nos uniu
num desatino
um desafio
ando só
como um pássaro voando
ando só
como se voasse em bando
ando só
pois só eu sei andar
sem saber até quando
ando só .
- Postado por: Drika às 15h23
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JANUS

A palavra janela nos remente ao mês de janeiro, que dá entrada ao ano, e que recebeu este nome em virtude do deus Janus (possuidor de duas faces, uma olhando para o passado e outra olhando para o futuro), o protetor das portas e entradas de uma casa ou cidade. Janela é o diminutivo de janua que, em latim, significava entrada principal de uma casa particular. Pela janela (e no início de um novo ano, no mês de janeiro), podemos olhar para o passado e para o futuro. Como um deus.
Quando eu estava na faculdade e, obrigatoriamente, tínhamos aulas de latim, minha atenção servia de riso para meus colegas que não entendiam meu fascínio por esta língua. Achava (acho) fabuloso descobrir que por trás de palavras que, hoje, se tornaram tão comuns em seu uso, carregam um significado que abre nossos olhos para o passado do futuro. Sem saber a história das palavras que utilizamos, muitas vezes as sub-utilizamos, e não exploramos seu potencial metafórico, seus desdobramentos.
Li outro dia um pensamento de Oscar Wilde: " O passado não tem a menor importância. O presente não tem a menor importância. Precisamos é nos preocupar e nos ocupar com o futuro. Porque o passado é aquilo que os homens não deveriam ter feito. O presente é o que os homens não devem fazer. E o futuro é aquilo que os artistas fazem."
Quando li isto discordei rapidamente. Porém, depois de um olhar mais atento - pois Wilde sempre precisa deste olhar (me apaixonei por ele quando conheci Dorian Gray e pintei sua imagem na minha cabeça por dias e dias - é isso que os livros fazem com a gente...os bons livros não são feitos de papéis e letras. São feitos de espelho!) encontei uma solução. Sempre procuro uma solução no que leio. Porque quando leio enfrento problemas.
Uma infinidade de pensamentos e conselhos rezam que não devemos nos preocupar com o passado e nem com o futuro. "Viva o presente", e vem este tal de Wilde nos dizendo que é o futuro que importa.
O futuro pertence aos artistas. São eles que não se contentam com o homem que foi (e não deveria ter sido assim)no passado, e com o homem que é (e não deve ser assim) no presente.
Quando vi assim, desta forma, entendi. Tudo aquilo que não aconteceu, ainda, é tudo o que me interessa, porque eu, como "artista" de minha vida posso alterar. Certamente o futuro se faz com o presente e o passado. Mas somente ele - o futuro - é aquela janela aberta. Tal qual o mês de janeiro. Janeiro - janela para um novo ano. Abertas as expectativas. Os desejos. Os compromissos. Tem coisa melhor do que o incerto? A perspectiva de que algo novo, maravilhoso, melhor irá nos acontecer? Nem passado e nem presente comportam esta sensação. Não há como! Só o futuro pode. Saber que sempre podem existir surpresas me fez não dar tanta importância a pequenas coisas insignificantes. Não supervalorizar os momentos tristes ou que não sairam como eu esperava.
Tudo isto por um simples ato: ler. Por isso amo ler. Ler me coloca em lugares que já estive (pensamentos e certezas) e em lugares que nunca estive também (construções de novas certezas).
Minha prioridade é abrir a janela da minha vida. Me autoconhecer. Jung dizia: "quem olha para fora, sonha - quem olha para dentro, desperta." Tem algo mais inexplicável do que eu mesma?

William Arthur Ward, no começo do século XX, diz que há quatro tipos de professores: o professor medíocre, que expõe; o bom professor, que explica; o grande professor; que demonstra; o professor excepcional, que inspira.
Neste janeiro estou fazendo um balanço. Do que fui. Do que sou. Do que posso me tornar. Eu realmente nunca entendi essa fascinação que meus alunos têm por mim, apesar de confessar que me sinto muito bem em saber disso. Vou mais longe, primo em despertar isto pensando que, assim, eles buscarão o tal falado aprendizado autônomo. Nas aulas de literatura eles brilham. Em meio a risadas, conversas e perguntas, me deixam entrar em seu mundo. Mas será que eu os inspiro? Será que me vestir de Hamlet ou falar como a Julieta de Shakespeare me coloca em qual nível de professor? Janeiro serve para isto. Balanço geral. Queria conseguir mais.
NaZinhA S2: (Recadinho de alunas em meu orkut)
Fessorinhaaa...
Que suadadee...
Ainda bem que já ta chegando pertinho de começar as aulas pra eu ver você de novo..
Naum vejo a hora de ver você..
Linda...te amo prof...
:)Biah***
Professora...li akele livro inteiro nas féiras q vc falow - o diário de anne frank -
até chorei no final/ minha mamis fikou boba de me ver lendo nas férias...coisas
da Drika né....bejaum profis + legal do mundo!
"Pintou estrelas no muro e teve o céu ao alcance das mãos." Helena Kolody

As estrelas eram uma das grandes motivações das pinturas de Van Gogh.
Ele disse certa vez: "Quero expressar a esperança por meio de alguma estrela".
Flores em Você
Ira!
De todo o meu passado
Boas e más recordações
Quero viver meu presente
E lembrar tudo depois...
Nessa vida passageira
Eu sou eu, você é você
Isso é o que mais me agrada
Isso é o que me faz dizer...
Que vejo flores em você!...
De todo o meu passado
Boas e más recordações
Quero viver meu presente
E lembrar tudo depois...
Nessa vida passageira
Eu sou eu, você é você
Isso é o que mais me agrada
Isso é o que me faz dizer...
Que vejo flores em você!
Que vejo flores em você!
Que vejo flores em você!
Que vejo flores em você!...
- Postado por: Drika às 17h41
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Ai Que Saudade de Ocê
Composição: Vital Farias
Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade de ocê
Se um dia ocê se lembrar
Escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio
Com frases dizendo assim:
"faz tempo que eu não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando um monte de beijo
Ai que saudade sem fim"
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando eu ia viajar
Você caia no choro
Vou chorando pela estrada
Mas, o que eu posso fazer ?
Trabalhar é minha sina
Eu gosto mesmo é de ocê.

Morrendo de saudades daqui. Não é dessa vez ainda.
Estes meus sumiços são necessários...pura falta de tempo.
Apesar de estar de férias estou estudando feito louca.
Amei os recados de todos vocês, meus amigos, para o ano de 2008.
Meus desejos são todos para vocês também: de muito amor e infinito sucesso.
Uma amiga me disse esses dias que eu tenho mel. Mensagem subliminar.
Desejo muito mel a todos vocês.
Desejo que o meu mel encontre alguém realmente ímpar este ano.
Não que eu não tenha encontrado...mas ainda não é o pássaro azul.
Eu e meu pássaro azul! Sempre sonhando...quem lê meu blog desde o início,
início até do outro endereço...sabe que a calmaria chegou.
Uma calmaria boa, conquistada e feliz. Mesmo eu sendo esse ardente
respirar que sou. Quem me conhece sabe do que estou falando:
falar e pensar depois, sorrir muito mesmo quando está chorando,
chorar mais ainda...chorar com a alma, devagar, pulsando...
criar complexidade onde não tem...mas facilitar ao máximo quando pode...
suspirar por quem foi embora e nem se lembra de você...suspirar quando alguém
se lembra também...escrever muito para substituir a tontura, a ânsia que tudo
me faz e diz...subir no topo do plano e achar que fez muito...mas tentar alcançar
aquilo que ninguém conseguiu e tentar e tentar e tentar...e conseguir...
amar a tristeza porque por trás dela pode vir a felicidade...ajudar mesmo
quem não precise pois, na verdade, quem precisa sou eu...observar calada
para falar mais tarde com profunda exatidão, e ficar feliz por isso, pois na maioria das vezes
falei sem observar mesmo...se emocionar quando todos não acham nenhuma emoção...
ter saudades de sei lá o quê e sei lá onde....e mesmo assim sentir....aquele olhar
que todo mundo acha que provoca, mas na verdade está pedindo colo...
atender o celular querendo que seja alguém que eu não conheça, ou que conheça
e sempre quis que ligasse...continuar beijando - adoro beijar - beijei muito por opção
mesmo, por vontade...eu beijo minha família toda - sempre - meus alunos (os grandes
não - pega mal)...mas desta vez, queria beijar aquele beijo que deixa a boca da gente
sem palavras por um tempão - adormecida - desesperada - eu me vejo mas nem
sempre foi assim. Às vezes, me perco...grito e ninguém me escuta. Isso é apavorante...
esse ano quero outros vícios (já os tenho de sobra!)...um não dá para largar que é ler...
mas é um vício cruel...quanto mais o tempo passa, mais eu leio e mais eu quero parar
de ler e somente escrever...só que não consigo. Ponto. Ai que saudade de ocê.
- Postado por: Drika às 16h11
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"Tu me deste a tua lama e eu a transformei em ouro".
(Baudelaire)

OS CÃES DE SÃO PAULO
Os cães de São Paulo são mais livres do que os cães de Nova York.
Sofrem menos restrições.
Os cães de São Paulo sabem muito mais sobre as mulheres de São Paulo do que você ou eu.
Eles vêem, ouvem, cheiram, e talvez até sintam o gosto de mais mulheres.
Os cães de São Paulo não têm nome de seres humanos".
Poema de Vincent Katz

Os cães me entendem. Hoje estou fervendo. O meu inferno é o céu.
Tomar café me acalma. Ou será que me agita?
Não sei mais o que me acalma.
Eu queria não sentir culpa. Culpa de não querer, de correr, de fugir...
Perder a viagem de tentar. Tenho tanta saudade. Mas não quero voltar.
Quero inovar. Quero gravar para não esquecer.
O meu desejo é estranho. Vai devagar. Procurar olhar.
Ninguém mais olha hoje em dia. Ninguém espera. Nem descobre de novo.
A água ferveu e eu nem coloquei o café.

Um Amor, Um Lugar
Paralamas Do Sucesso
O meu amor é teu
O meu desejo é meu
O teu silencio é um véu
O meu inferno é o ceu
Pra quem nao sente culpa de nada
E se nao for valeu
E se já foi, Adeus
O dia amanheceu
Levante as mãos para o céu
E agradeça se um dia encontrar
Um amor, um lugar
Pra sonhar
Pra que a dor possa sempre mostrar
Algo de bom...
- Postado por: Drika às 15h51
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RETRATO

Tão fria. Tão calma. Tão branca.
Essa era a imagem, ou pelo menos, a impressão que passava.
Um retrato desbotado em um canto de parede. Os olhos poderiam ser de
alguém que já falamos "olá" ou passamos para o outro lado da calçada
e acenamos com a mão. Olhar fixo.
O rosto de um pálido amanhecer ... não corria no sol, nem se aquecia no fogo.
Era guardado na lembrança daquele retrato amarelado.
Qualquer dia sairia dali para dar lugar a outra pessoa.
Outro que tomaria aquela forma e que, os curiosos pensariam
naqueles a que o passado esqueceu.
Cada passo permanece mais perto do fim.
"O pulso ainda pulsa".

RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles
MEUS PENSAMENTOS DE MÁGOA |
Boiam leves, desatentos Meus pensamentos de mágoa Como no sono dos ventos As algas, cabelos lentos Do corpo morto das águas
Boiam como folhas mortas À tona de águas paradas São coisas vestindo nadas Pós remoinhando nas portas Das casas abandonadas
Sono de ser sem remédio Vestígio do que não foi Leve mágoa, breve tédio Não sei se pára, se flui Não sei se existe ou se dói EDU LOBO (Poema de Fernando Pessoa) |
- Postado por: Drika às 15h13
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SÁBADO À NOITE

Ir ao cinema?
Namorar?
Jantar?
Festa?
...
?
?
?
Sábado à noite. Chuva lá fora. Corpo seco.
Ninguém fala. Preto ou branco.
Eu queria gritar na chuva. Me molhar toda e não ter que correr...
Sentir os pingos um a um como punhais numa pele cansada de maciez!
Por que certas coisas somente são feitas no sábado à noite?
E por que algumas nunca são feitas?
Eu gosto muito do meu cabelo e, pensando um dia sobre isto,
descobri que é porque fiquei sem ele por duas vezes.
Eles foram caindo, caindo e por fim "decidiram" que era melhor cortá-lo.
(Naquela época - eu ainda era criança - os remédios eram meu leite).
Como é difícil se desfazer de algo importante. Importante naquele momento.
Porque as coisas, um dia, perdem a importância.
Tudo vai. Aí vem o novo. E este, um dia, vai embora também.
É um ciclo. Um refazer.
O que eu perderia hoje que me faria chorar?
Não é o cabelo.
E você? O que perderia hoje e te faria ficar sem ar?
O incio de "A menina que roubava livros" (gosto desse livro) a morte diz:
"Primeiro as cores
Depois os humanos
Em geral, é assim que eu vejo as coisas
Ou pelo menos é o que tento.
Eis um pequeno fato:
Você vai morrer".
Se eu morresse hoje faltariam tantas palavras, tantos silêncios,
tantos sorrisos, tantas chuvas, tantos cheiros, tanto cafézinho,
tanto algodão doce(minha mãe nunca me deixava comer porque lambuzava)
tanta bala de hortelã, tanta piada sem graça, tanta pedrinha colorida,
tantos livros inacabados, tantas ruas que não passei, tantos martines
que nunca provei, tanto buraco de calçada que não tropecei, tanta
festa que faltei, tanta-única boca que não beijei, tanta música que ouvi,
tantas flores que recebi, tanto-único amor que não encontrei,
tanto choro que sequei...faltariam muitas coisas.
Tenho que andar depressa.

Por Onde Andei
Nando Reis
Desculpe
Estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei
Errado e eu entendo
As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias
Até pra uma criança
Por onde andei?
Enquanto você me procurava
Será que eu sei?
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava...
Amor eu sinto a sua falta
E a falta
É a morte da esperança
Como um dia
Que roubaram o seu carro
Deixou uma lembrança
Que a vida é mesmo
Coisa muito frágil
Uma bobagem
Uma irrelevância
Diante da eternidade
Do amor de quem se ama
Por onde andei?
Enquanto você me procurava
E o que eu te dei
Foi muito pouco ou quase nada
E o que eu deixei
Algumas roupas penduradas
Será que eu sei?
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava...
- Postado por: Drika às 19h01
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